O governo federal aumentou de forma inédita a verba para Big Techs, fazendo com que os repasses oficiais para plataformas como Google e Meta superassem pela primeira vez os valores destinados a emissoras de TV tradicionais, como SBT e Band. Segundo dados da Secretaria de Comunicação Social (Secom), os canais digitais receberam pelo menos R$ 234,8 milhões do orçamento publicitário do último ano. A mudança estratégica reflete o foco governamental em novos hábitos de consumo digital e pavimenta o terreno de comunicação para as eleições de 2026.
Contents
Destaques
- A parcela do orçamento de propaganda destinada à internet saltou de 17,7% em 2022 para 34,5% no último ano.
- O Google viu seus repasses crescerem de R$ 10,5 milhões em 2023 para R$ 64,6 milhões.
- A Meta (Facebook e Instagram) somou R$ 56,9 milhões, superando o faturamento governamental do SBT (R$ 45,8 mi) e da Band (R$ 24,4 mi).
- A televisão aberta ainda lidera o volume geral com 45% das verbas, tendo o Grupo Globo no topo com R$ 150 milhões recebidos.
O Salto da verba para Big Techs no Governo Federal
A reestruturação na estratégia de comunicação da Presidência da República marca uma virada na distribuição dos recursos oficiais. Pela primeira vez na história, o aporte destinado a gigantes da tecnologia superou os contratos firmados com canais tradicionais da televisão aberta. Enquanto o SBT e a Band receberam juntos cerca de R$ 70,2 milhões, a injeção de verba para Big Techs como Google e Meta ultrapassou a marca de R$ 121 milhões.
De acordo com a Secretaria de Comunicação Social (Secom) e dados dos ministérios, a internet absorveu 34,5% do bolo publicitário no último ano. Trata-se de um salto expressivo frente aos 17,7% registrados em 2022, movimento que consolida o ambiente online como prioridade da atual gestão federal.
Estratégia Digital e Streaming em Foco
Além das redes sociais e buscadores, o governo expandiu seus planos de mídia para incluir plataformas de streaming de forma mais incisiva. Serviços como Prime Video Ads e Netflix entraram na rota de pagamentos oficiais, recebendo R$ 5,5 milhões e R$ 3,28 milhões, respectivamente. Em contrapartida, a gestão federal descontinuou os contratos com a rede social X (antigo Twitter) após os atritos públicos entre Elon Musk e instituições brasileiras como o STF.
A Secom justificou a realocação financeira afirmando que a nova distribuição reflete com mais precisão os novos hábitos informativos da população brasileira, visando ampliar o alcance real da utilidade pública e de ações governamentais.
O Cenário da Televisão Aberta
Apesar do forte crescimento do setor digital, a televisão aberta não foi substituída por completo. O meio tradicional ainda concentra aproximadamente 45% de todos os investimentos publicitários do Executivo. O Grupo Globo permanece isolado no topo do ranking midiático, com repasses na casa de R$ 150 milhões, sendo seguido pela Record, com R$ 80,5 milhões.
A transição orçamentária rumo ao digital é encarada nos bastidores políticos como um passo indispensável. Com os olhos voltados para 2026, ano em que Luiz Inácio Lula da Silva deverá disputar a reeleição, a modernização dos canais de diálogo promete garantir que as realizações da gestão cheguem de forma mais rápida e assertiva ao eleitorado brasileiro.

